Abdul Gafur Gulam chega amanhã a Moçambique
2026-03-25 - 13:23
O arguido Abdul Gafur Gulam, um dos 40 indivíduos indiciados pela práticas dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal, associação criminosa, falsificação e uso de documentos falsos, chega amanhã a cidade de Maputo, extraditado de Portugal, onde esteve detido. Trata-se da Operação STOP BC, no âmbito do processo nr. 3/GCCCOT/22, no qual foram constituídos em arguidos 40 indivíduos e 32 sociedades comerciais, indiciados pela práticas dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal, associação criminosa, falsificação e uso de documentos falsos. O arguido Abdul Gafur Gulam, que se encontrava em parte incerta, foi detido em Portugal, em resultado do mandado de captura internacional e por consequência o alerta vermelho pela Interpol. As autoridades nacionais solicitaram a extradição do arguido, que o Tribunal da Relação de Lisboa decretou. Assim, Abdul Gafar aterra amanhã, dia 25 de Março, pelas 07h35, em Moçambique, extraditado de Portugal. Abdul Gafar Gulam teria criado cerca de oito empresas de fachada, usando para o efeito, terceiras pessoas, entre as quais, de nacionalidade estrangeira e nacionais. Criadas as empresas, Abdul Gafar Gulam, por intermédio de testas de ferro, em nome de quem constituiu as empresas, abriu contas em diferentes bancos comerciais, através dos quais passou a receber elevadas somas de dinheiro, maioritariamente por depósito em numerário e cheques. Sem que as referidas empresas tivessem efectivamente exercido alguma actividade comercial para qual teriam sido supostamente criadas, passaram a transferir montantes para várias jurisdições estrangeiras, entre as quais: Portugal, Turquia, China, Hong Kong, Maurícias, Tailândia, Japão, Emirados Árabes Unidos, Malásia, alegadamente para pagamento de mercadorias que nunca efectivamente foram importadas, ou seja, nunca deram entrada no território aduaneiro moçambicano. Com vista a justificar as transferências de valores ao estrangeiro e dissimular a falta de entrada da mercadoria à Moçambique, Abdul Gafar Gulam, contando com auxílio de alguns despachantes aduaneiros e alguns colaboradores de bancos comerciais, forjou termos de compromisso de intermediação bancária, facturas proformas supostamente de fornecedores, e documentos únicos das Alfândegas, que posteriormente os apresentou junto aos bancos comerciais e entidades públicas. Abdul Gafar Gulam, com recurso a este "modus operandi", transferiu para o estrangeiro, entre 2019 a 2022, o equivalente a cerca de cento e quarenta milhões de dólares americanos, alegadamente para compra de mercadorias que nunca foram desembaraçadas no território aduaneiro nacional.