TheMozambiqueTime

Macron pede decisões sobre mercado único e competitividade até Junho

2026-02-12 - 14:20

O Presidente francês pediu, esta quinta-feira, para a União Europeia tomar "decisões concretas" sobre a competitividade e o mercado único até Junho, considerando que deve avançar-se com parcerias entre grupos restritos de países, caso os 27 não cheguem a acordo. Em declarações aos jornalistas à entrada para o retiro informal dos líderes da UE, aonde chegou acompanhado pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, Emmanuel Macron defendeu que a "Europa deve agir muito claramente" para aumentar a competitividade da sua economia. "O diagnóstico está feito - com os relatórios Draghi e Letta - e estamos a ser muito pressionados [para agir], com uma pressão muito forte da China, tarifas a serem-nos impostas pelos Estados Unidos e ameaças de medidas coercivas. Tudo isso requer uma reação", sustentou, citado pelo Noticias ao Minuto, antes de entrar no castelo de Alden Biesen, onde decorre o retiro. Para o chefe de Estado francês, a prioridade da UE deve ser tomar decisões "a muito curto prazo" nas matérias em que já há consenso, designadamente a nível de "simplificação [de burocracias], aprofundamento do mercado único, questões energéticas e de financiamento". Ao lado de Merz, Macron referiu ainda haver um "acordo franco-alemão muito forte sobre a união dos mercados de capital". Além destas questões de curto prazo, o Presidente francês considerou ainda que a UE deve ter como prioridade "continuar a diversificar" as suas parcerias a nível mundial, adotar medidas de preferência europeia em "alguns sectores críticos e ameaçados" e "continuar a financiar a inovação, com financiamento público e privado". "Vamos avançar nesses aspectos e o importante é que andemos rápido e que tomemos decisões muito concretas até Junho. Em Junho, veremos onde é que estamos e, se em alguns aspectos não conseguirmos avançar a 27, então decidirmos avançar no âmbito de cooperações reforçadas", afirmou. As cooperações reforçadas são um mecanismo que permite que um conjunto de pelo menos nove Estados-membros decida avançar com parcerias em áreas específicas, caso não se alcance um acordo entre os 27 Estados-membros da UE. Por sua vez, o chanceler alemão Friedrich Merz também defendeu que é preciso garantir que a UE tem uma "indústria competitiva na Europa" e disse haver um acordo entre a França e a Alemanha sobre estas matérias. "Espero que hoje demos um passo em frente, sem tomarmos decisões, mas preparando as decisões que serão tomadas daqui a quatro semanas, quando nos reunirmos para a próxima cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas", em Março, disse. Também em declarações à entrada para este retiro, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, considerou que uma eventual adesão da Ucrânia à UE em 2027 não passa de "belos sonhos". Questionado sobre como é que acha que a UE deve aumentar a sua competitividade, Orbán defendeu que, "primeiro, é preciso acabar com a guerra, porque a guerra é má para os negócios". "Segundo, se precisas de dinheiro para competires, não o dês a outras pessoas. Por isso, não envies o teu dinheiro para a Ucrânia. Em vez disso, devias investi-lo na tua própria economia. Terceiro, reduzir o preço da energia. É assim tão simples, não é complicado", disse citado pelo Noticias ao Minuto. Os líderes da União Europeia (UE), sem o primeiro-ministro português, reuniram-se esta quinta-feira num retiro na Bélgica para discutir como aumentar a competitividade e o crescimento económico comunitário, quando se fala numa Europa a duas velocidades na cooperação financeira.

Share this post: