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Preço do gás dispara após ataque do Irão à maior instalação do mundo

2026-03-20 - 07:43

O preço do gás na Europa disparou 35% ontem, após ataques a infra-estruturas energéticas no Médio Oriente, em particular o ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar. A empresa estatal de energia do Qatar reportou, nesta quinta-feira, "danos consideráveis" no complexo de gás de Ras Laffan, na sequência de um ataque com mísseis iranianos. Doha esclareceu, posteriormente, que todos os incêndios no local estavam "controlados", acrescentando que não houve feridos e que as operações de arrefecimento e segurança continuavam. Uma das maiores refinarias do Kuwait também foi atingida nesta quinta-feira. Os preços do petróleo também subiram nesta quinta-feira, igualmente influenciados pelos desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente, com o petróleo Brent a registar uma subida superior a 5%, atingindo cerca de 113 dólares. O Irão causou "danos extensos" à Cidade Industrial de Ras Laffan, a maior instalação mundial de gás liquefeito do mundo, localizada no Qatar, após ter prometido retaliar contra a infra-estrutura energética do Golfo pelo ataque sofrido no campo de gás South Pars, parte da maior reserva de gás do mundo e cerne do sistema de energia doméstica da República Islâmica. O bombardeio por Israel, feito com consentimento ou coordenação dos EUA, foi a primeira investida contra a infra-estrutura de produção de combustível fóssil iraniana desde o início do conflito, a 28 de Fevereiro. O Irão acusa as monarquias árabes do Golfo de permitir que as forças americanas usem o seu território e/ou espaço aéreo para lançar ataques contra o território iraniano. “Equipas de emergência foram imediatamente mobilizadas para conter os incêndios resultantes [em Ras Laffan], visto que os danos foram extensos”, afirmou a estatal QatarEnergy numa publicação no X na quarta-feira. Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores do Qatar afirmou que o "lado iraniano mantém as suas políticas de escalada que empurram a região para o abismo". Posteriormente, a Chancelaria ordenou que os adidos militares e de segurança do Irão deixem o país, numa escalada diplomática que simboliza a perda de confiança entre dois países que compartilham a operação do campo de gás de South Pars-North Dome. Nas primeiras horas de quinta-feira (horário local), o Ministério da Defesa do Qatar confirmou que o Irão havia conduzido novos ataques com mísseis balísticos à Ras Laffan, que provocaram danos às instalações. Já o Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita disse que o país foi alvo de tentativas de ataques com drones contra uma das suas instalações de gás e outras estruturas de energia na região leste, enquanto os Emirados Árabes Unidos (EAU) sofreram um ataque contra a base aérea de Al Minhad, que abriga oficiais britânicos e australianos. Não há registro de danos ou vítimas. Na madrugada desta quarta, o Irão também havia atingido Tel Aviv, matando dois israelitas, após jurar vingar na véspera pela morte do seu chefe de segurança, Ali Larijani, assim como a de Gholamreza Soleimani, chefe da unidade paramilitar Basij, responsável pela segurança interna do Irão. O ministro da Inteligência iraniano, Esmaeil Khatib, foi assassinado nesta quarta-feira, quando destroços de um míssil deixaram quatro palestinianas mortas na Cisjordânia.

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