TotalEnergies tem USD 4,5 biliões para contratar serviços
2026-03-18 - 06:52
A Total Energies tem cerca de 4,5 biliões de dólares para comprar bens e serviços no país durante a construção do seu projecto de gás em Afungi. O anúncio foi feito, esta terça-feira, em Maputo, num seminário sobre conteúdo local. Depois de anunciar oportunidades de negócios em Pemba e Palma, na província de Cabo Delgado, onde será implantado o projecto de gás natural orçado em cerca de 20 biliões de dólares, a TotalEnergies fez o mesmo, nesta terça-feira, em Maputo. Diante de representantes de várias empresas que operam no país, a multinacional de origem francesa mostrou que está mesmo de volta ao país, depois da suspensão do seu projecto devido à insegurança, e anunciou oportunidades para os homens de negócios. “Nós temos um objectivo forte. Por exemplo, durante a fase de construção, nós queremos gastar 4,5 biliões de dólares em contratos com fornecedores locais. Nós também vamos empregar sete mil moçambicanos no momento de pico da construção. Portanto, vocês podem ver que o conteúdo local é muito importante para o Mozambique LNG”, confirmou Jean-Pascal Clemeçon, representante da TotalEnergies. Essencialmente, a multinacional vai comprar bens e serviços de empresas moçambicanas por imposição legal e por pretender alavancar a indústria nacional, segundo o director do projecto Mozambique LNG, que deverá produzir gás natural. “Nós queremos reforçar todas as contribuições que fizemos no passado para este desenvolvimento de indústrias locais, e não só queremos que seja claro, mas queremos ter certeza de que podemos ter um contacto directo com vocês”, disse Nicolas Cambefort, Director da Mozambique LNG. Mas, esse trabalho não será feito apenas pelo consórcio liderado pela TotalEnergies. Há um grupo de empresas de nível internacional já contratadas para executar grande parte dos trabalhos e estas, por sua vez, vão precisar de subcontratar as mais pequenas. “Nós queremos reforçar toda a contribuição que fizemos desde o passado para este desenvolvimento local e industrial. E não só queremos isso ser claro, mas queremos ser certos que podemos ter um contacto directo com todos. A ver, a necessidade de aluguer de máquinas, tais como gruas, autocarros, pás carregadoras, pás escavadoras, entre outras. Uma das áreas de compras que nós focamos é o aluguer de serviços e equipamentos”, disse o representante de uma empresa contratada. Presente no seminário, o especialista em petróleo e gás, José Mendes, alerta que o Ministério das Finanças devia estar atento a este tipo de eventos para garantir a efectiva participação das empresas nacionais nos negócios e os impostos. “É importante que o sector tenha disposição, que tenha noção, que tenha que aproveitar esta oportunidade do gás. Mas é preciso que quem lidera estes processos, quem realmente dá o modo, que é o Governo neste caso, através do Ministério das Finanças, esteja atento também a estes processos de difusão e de disseminação de informação para poder criar uma lista de serviços que devem ser e isto não é nada novo. Nós podemos inventar o que os outros países fazem, o Gana e Angola, já tem um leque de serviços que são exclusivamente feitos por empresas nacionais”, disse. Por seu turno, o Presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, aponta os elevados custos de financiamento como um dos maiores obstáculos para as empresas nacionais e deixa ficar um trabalho de casa para a TotalEnergies. “Os pagamentos feitos pelas subcontratadas da TotalEnergies são feitos no prazo de 60 a 90 dias. Em 60 a 90 dias como é que a empresa moçambicana pequena vai sobreviver e vai poder ir ao banco, levantar o dinheiro, pagar os materiais e depois ficar a espera 90 dias para ela ser paga?”, questionou, esclarecendo que “não é possível”. Para tal, segundo Mucave, é preciso uma estratégia muito clara e única de participação. “Neste momento, dada a pressão que existe da TotalEnergies que eles não podem esperar mais tempo por causa do projecto, o mesmo tem de iniciar sem parcerias, sem joint ventures entre as empresas moçambicanas e empresas estrangeiras. Portanto, o nosso apelo aqui é realmente a TotalEnergies que se faça uma roadshow com empresas estrangeiras com as quais eles já trabalharam, as quais eles conhecem, que as tragam para cá para poderem fazer as parcerias com as empresas moçambicanas para facilitar a participação dos moçambicanos”, disse. O projecto Mozambique LNG prevê produzir 13,12 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano durante 25 anos e empregar sete mil moçambicanos no pico da sua construção.